Dia do Livro - Book Day

Em parceria, Acbeu e Solisluna Editora criam projeto Dia do Livro - Book Day

Com o objetivo de contribuir com a prática e o gosto pela leitura e divulgar a literatura e cultura baiana, a Acbeu e a Solisluna Editora, em parceria, criaram o projeto “Dia do Livro - Book Day”, uma série de encontros regulares com autores que apresentarão seus trabalhos como pesquisadores, escritores, ilustradores e outras artes afins a literatura. A programação cultural acontecerá regularmente na Acbeu Magalhães Neto, na reinaugurada Biblioteca Presidente Elmer Pereira, um novo espaço cultural, moderno e multidisciplinar.

O primeiro encontro acontece dia 8 de maio, próxima quinta-feira, às 19h, com a palestra ‘Poder do Livro’ do antropólogo, designer e artista plástico, Renato da Silveira que apresentará sua pesquisa sobre a história do livro. A programação é gratuita e aberta aos alunos da instituição e ao público em geral. 

Nos dias do “Dia do Livro – Book Day” os títulos do catálogo da Solisluna serão vendidos a preços promocionais. Viva o livro!

Evento:

Primeiro encontro do projeto “Dia do Livro - Book Day”, com a palestra ‘Poder do Livro' que será proferida pelo antropólogo Renato da Silveira no dia 8 de maio, das 19h às 20h30 na Biblioteca Presidente Elmer Pereira, na Acbeu Magalhães Neto.

Lançamento do livro Eclipse da Lua Azul

Dia 26 de abril na Livraria Leitura do Shopping Bela Vista em Salvador

A Solisluna Editora, dando continuidade à publicação de livros juvenis de autores baianos ou radicados na Bahia lança, no dia 26 de abril, sábado, a partir das 16 horas na Livraria Leitura do Shopping Bela Vista, o livro “Eclipse da Lua Azul - Mundo Humano”, romance de ficção fantástica escrito a quatro mãos pelas autoras Débora Knittel e Érica Falcão.

As autoras são amigas desde a adolescência e compartilham o gosto pela leitura e escrita. Juntas escreveram “Eclipse da Lua Azul”, livro que conta a história de Holly, uma jovem americana que se muda com o pai arqueólogo para o Rio de Janeiro depois que a mãe falece. Morando na cidade maravilhosa e com o pai sempre em expedições pelo mundo, Holly é acolhida pela família de Maiara, recebe um artefato antes de completar dezoito anos e com a ajuda da nova amiga começa uma saga para tentar desvendar os mistérios sobre o desaparecimento de seu pai, as visões de Maiara e o crescente desequilíbrio da natureza. Nesta aventura, Holly e Maiara conhecem Celino e Kami, seres de outros mundos, iniciando uma jornada na qual os sentimentos e os dons serão despertados e os valores fundamentais da humanidade, colocados à prova. 

Eclipse da Lua Azul: fantasia escrita a quatro mãos / Ilustração Enéas Guerra

Eclipse da Lua Azul: fantasia escrita a quatro mãos / Ilustração Enéas Guerra

O livro fez parte da seleção de títulos que a Solisluna Editora apresentou na 51ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (Bologna Chlidren’s Book Fair), maior evento voltado para publicações infantojuvenis, onde as autoras e os editores da Solisluna estiveram presentes. Esteve também em pré-lançamento na Primavera dos Livros 2014, edição em São Paulo, evento que divulga a bibliodiversidade da produção editorial nacional. 

Érica Falcão e Débora Knittel em pré-lançamento na Primavera dos Livros, em São Paulo / Foto Kin Guerra

Érica Falcão e Débora Knittel em pré-lançamento na Primavera dos Livros, em São Paulo / Foto Kin Guerra

Evento:

Lançamento do livro Eclipse da Lua Azul - Mundo Humano, de Débora Knittel e Érica Falcão
Local: Livraria Leitura do Shopping Bela Vista
Horário: 16 horas
Preço: R$ 39,90

 

 

Visita à Bolonha

Por Paulo Tolentino Vieira

Centro histórico de Bolonha.

Centro histórico de Bolonha.

Sabe-se que Bolonha foi sede da primeira universidade criada no mundo lá pelos anos 1100. Por isso, com justiça, orgulha-se de ser um dos polos culturais mais importantes da Europa. Visito-a em março de 2014, por ocasião da Feira Internacional do Livro Infantil, cuja primeira versão aconteceu há 51 anos. Sendo, hoje, o maior evento do mundo, no gênero.

A empresa brasileira e baiana Solisluna Design Editora, com um significativo número de publicações adequadas para o público alvo dessa feira, naturalmente se fez presente com uma delegação de editores, designers, escritores e colaboradores, num total de sete pessoas que solícita e cordialmente apresentaram suas obras, obtendo excelentes resultados em termos de contatos para negócios.

Com uma população, próxima de 400.000 habitantes, a cidade sede da feira, para nós brasileiros que não a conhecíamos, não dava ideia do grau de desenvolvimento urbanístico que já alcança, sendo similar ao de qualquer grande centro da Europa.

Percebe-se aqui, com clareza, traços culturais atualizados científica e tecnologicamente. Berço de Guilherme Marconi, nascido de pais muito cultos e envolvidos no movimento universitário, descobridor de muitas propriedades da eletricidade e inventor da Radiofonia, a cidade já se notabilizava àquela época como palco de grandes avanços científicos e tecnológicos e local propício às ideias e ao pensamento.

Outra percepção é o culto à história, um traço bem italiano, faz com que se sinta a presença de um passado glorioso, em todo o centro da cidade. Os muitos monumentos, prédios históricos, e o próprio pavimento das ruas são conservados com naturalidade, sem rigores preservacionistas, mas com muita preocupação estética e funcionalidade. Convivem naturalmente pisos medievais de pedra e ladrilhos, com paralelepípedos, asfalto e outros materiais modernos. O nivelamento impressiona, mas o mais importante é que mantém intactas as “relíquias” ao invés de substituí-las por algo mais novo, que logo passará a ser ultrapassado.

Aqui, observo que é um desafio administrativo bem resolvido lidar com uma instigação permanente para administrar o valor do patrimônio histórico, com as exigências de conforto da vida moderna. Impressiona também neste aspecto a atualidade tecnológica em informatização da Sala Borsa, a biblioteca municipal, contrapondo-se com a instalação num lindo edifício medieval onde, por um piso de vidro, pode-se ainda ver ruínas de edificações da antiguidade etrusca no subsolo, constituindo-se um exemplo muito rico.

Particularmente fiquei Impressionado com o know how existente para operar eventos internacionais de grandes proporções, sendo a Feira Internacional do Livro Infantil, onde a Solisluna participou no estande do Brasil, um atestado muito bom dessa competência. O centro de convenções ocupado pela feira é dotado dos mais avançados itens para funcionamento com conforto invejável. Climatização interna, amplas áreas para exposições, várias e moderníssimas salas para conferências possibilitando realização simultânea, com equipamento de tradução e multimídia, parques de estacionamento suficientes etc. são mais um exemplo suficiente da harmonia bolonhesa entre o antigo com o novo e do histórico com o contemporâneo.

Entrada da Feira do Livro Infantil de Bolonha 2014.

Entrada da Feira do Livro Infantil de Bolonha 2014.

Solisluna Editora presente no estande do Brasil na 51ª Feira do Livro Infantil de Bolonha.

Solisluna Editora presente no estande do Brasil na 51ª Feira do Livro Infantil de Bolonha.

Paulo Tolentino entre os editores Eneas Guerra e Valéria Pergentino, no espaço da Solisluna Editora.

Paulo Tolentino entre os editores Eneas Guerra e Valéria Pergentino, no espaço da Solisluna Editora.

Paulo Tolentino Vieira é administrador de empresas e acompanhou o coletivo de autores, escritores e editores da Solisluna Design Editora na Feira do Livro Infantil de Bolonha na Itália em março de 2014.

Escritoras brasileiras apresentam 'Eclipse da Lua Azul' na Feira do Livro de Bolonha

Lançado pela editora Solisluna, obra conta uma história de ficção fantástica envolvendo amizade, amor e valores

Redação iBahia

As autoras de 'Eclipse da Lua Azul' Érica Falcão e Débora Knittel / Foto Kin Guerra

As autoras de 'Eclipse da Lua Azul' Érica Falcão e Débora Knittel / Foto Kin Guerra

As escritoras Débora Knittel e Érica Falcão estão na Itália para apresentar o livro 'Eclipse da Lua Azul – Mundo Humano', na 51ª edição da Feira do Livro Infantil de Bolonha. Lançada pela editora Solisluna, a obra conta uma história de ficção fantástica envolvendo amizade, amor e valores. A feira, que começou na última segunda-feira (24), acontece até esta quinta-feira, 27 de março. Em 2014, o evento tem o Brasil como país homenageado.

Marcado por uma narrativa que busca fortalecer os valores humanos, 'Eclipse da Lua Azul' giram em torno e duas amigas e uma jornada. Após a morte de sua esposa, o arqueólogo John Crane, especialista em história de antigas civilizações, decide mudar-se com sua filha Holly para o Rio de Janeiro, perto dos amigos Dr. Ramos, Dra. Rita e sua filha Maiara. Holly, embora acolhida pela família de Maiara, vive um sentimento de tristeza e saudade de seu pai, sempre em expedições pelo mundo.

Antes de completar dezoito anos, Holly recebe um artefato e tentará desvendar os mistérios sobre o desaparecimento de seu pai, as visões de Maiara e o crescente desequilíbrio da natureza. Nesta Aventura, as amigas, Holly e Maiara conhecem Celino e Kami, seres de outros mundos, iniciando uma jornada na qual os sentimentos e os dons serão despertados e os valores fundamentais da humanidade, colocados à prova.

Natural de Santos, em São Paulo, Débora Knittel é formada em Pedagogia e especializada em Psicopedagogia. Radicada em Salvador, é autora de outros dois livros infantojuvenis: 'Margarida bem-me-quer' e 'Saíra sete cores'. Érica Falcão é da cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas reside em Vilas do Atlântico. É Pedagoga com especialização em Tecnologia Educacional e este é o seu primeiro livro.

A matéria foi publicada no site do iBahia no dia 26 de março de 2014

Publicações baianas na Feira do Livro Infantil de Bolonha 2014

Solisluna Design Editora expõe seus títulos infantojuvenis na 51ª edição do evento, que tem o Brasil como país homenageado

A Feira do Livro de Bolonha é a mais importante de publicações infantojuvenis

A Feira do Livro de Bolonha é a mais importante de publicações infantojuvenis

Acontece entre os dias 24 a 27 de março, a 51ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (Bologna Children’s Book Fair), na Itália. A Solisluna Editora participa do estande coletivo brasileiro, junto a outras 27 editoras associadas ao programa Brazilian Publishers (BP) e demais associadas da Câmara Brasileira do Livro (CBL). A presença da Bahia na ocasião é um importante posicionamento frente à intenção de abertura do mercado externo à produção editorial brasileira e baiana, assim como à inserção do país e do estado na cadeia produtiva internacional do livro.

Entre infantis e infantojuvenis, a Solisluna levará quinze títulos:

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Livros Intantis:
- Vaporzinho, Enéas Guerra
- Cirilo, o dragão que sonhava ser bombeiro, Carolina Bacelar
- Margarida Bem-me-quer, Débora Knittel
- Papai Noel existe Mamãe? Graziela Domini e Ian Sampaio
- Saíra Sete Cores, Débora Knittel
- Que bicho doido! Enéas Guerra

Livros infantojuvenis:
- Pastinha - O menino que virou Mestre de Capoeira, José de Jesus Barreto e Cau Gomez
- Oxalufã (Coleção Lendas Africanas), Edsoleda Santos, Renato da Silveira, baseado na obra de Pierre Verger.
- Ibejis (Coleção Lendas Africanas), Edsoleda Santos
- Oxum (Coleção Lendas Africanas), Edsoleda Santos, baseado na obra de Pierre Verger
- O Dragão do Ventre de Ouro, Eric A. A. Oliveira
- A Dama de Branco, Graziela Domini e Edsoleda Santos
- Xing Ling- Made in China, Victor Mascarenhas
- Notas Mínimas, Katherine Funke
- Eclipse da Lua Azul (novo lançamento), Débora Knittel e Érica Falcão

Evento:

Homenageando o Brasil, a 51ª Feira do Livro Infantil de Bolonha acontece entre os dias 24 e 27 de março, no Bologna Fair Centre – Piazza della Costituzione (Itália).
Estande do Brasil na Feira: Pavilhão 29 D16

Bologna Children’s Book Fair: www.bookfair.bolognafiere.it/

bonito e sonoro como um pururu gruom

Por Peter O. Sagae

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Alguns livros nos fazem rir – qualidade capaz de levar o leitor a virar e revirar páginas pra frente e pra trás, buscando repetir a experiência de ter encontrado inesperadamente um bocado de alegria. E, às vezes, rio, sei, tenho certeza: o riso desperta do próprio medo, quando, num repente... o medo passa! E essa qualidade para lidar com o riso tem o livro-brinquedo Que bicho doido!, de Enéas Guerra (Solisluna, 2012), para crianças pequenas, bem pequenas, que têm medo de bichos de orelhas pontudas, bicos, focinhos, bigodes, olhos fixos que emergem do território dos sonhos e assombros, entre os antigos mitos e os tutus que papam gente.
 

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Ora, um livro é comercialmente classificado como livro-brinquedo quando combina e explora uma materialidade híbrida com acessórios táteis, dobraduras, movimentos etc. para “distrair” os leitores. Não é nesse sentido que apresento este trabalho, mas vou pensando em toda sua forma, função e conteúdo... Se o folclore é um manancial de brinquedos falados, enquanto gêneros primários da criação verbal, por que não pensar o livro em si como um brinquedo de papel ao promover a aproximação entre gerações, através do mimo e da articulação dos primeiros sons? Pois isso Enéas Guerra faz.
 

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O autor, partindo de um mesmo contorno ou a forma repetida de uma máscara, experimenta grafismos e cores que multiplicam esses bichos, bichos doidos, bichos reais, bichos bem brasileiros e bichos imaginários. Trabalha variações a um mesmo “tema” e, ao mesmo tempo, improvisa e empresta vozes a cada criatura. São onomatopeias, sim, retiradas do vocabulário comum das brincadeiras familiares de au-au, miau, quiquiqui, das histórias em quadrinhos (grrrr) e outros sons inventados – iau iau iau, cronf cronf, ugli ugli ugli de uma maneira bastante livre, engraçada, que os bichos feios logo se transformam... em divertidos pesadelos!

Que bicho doido! não transporta uma história ou mesmo uma parlenda; não é narrativa, nem poesia. Não obedece a menor sintaxe verbal, qual seja ela. É, antes de mais nada, uma obra gutural, foneticista, carregada de elementos suprassegmentais da fala humana... e anda no ritmo da parataxe visual, das trocas e combinações possíveis. É um livro que joga com a imaginação e as pequeninas mãos dos leitores. Muito bom!
 

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De primeira viagem

Editoras novatas em Frankfurt aproveitam chance de fazer contatos

Maria Fernanda Rodrigues - Enviada Especial / Frankfurt - O Estado de S. Paulo

Valéria Pergentino queria ter participado da Feira do Livro de Frankfurt no ano passado, mas achava que sua editora Solisluna ainda não estava pronta para se lançar no mercado internacional – não faz muito que ela começou sua distribuição nacional. De Salvador, ela edita livros sobre a cultura afro-brasileira e outros de interesse geral. Este ano, por causa de uma ação especial do projeto Brazilian Publishers, parceria da Câmara Brasileira do Livro com a Apex-Brasil, que não cobrou de 57 editoras que nunca tinham estado no evento o espaço no estande coletivo, Valéria veio.

E ela trouxe uma comitiva de nove pessoas. “Quando souberam que viríamos, alguns autores se animaram e vieram por conta própria”, diz. O governo baiano deu uma força. Por meio do edital Mobilidade Artística, cinco pessoas do grupo receberam R$ 4 mil para as passagens e despesas.

A Solisluna não está a passeio. “Fizemos nossa lição de casa, pesquisando as editoras que queríamos contactar.” Essa foi uma das lições que os editores desse grupo aprenderam nos encontros preparatórios para a feira – um deles dado pela inglesa Lynette Owen, especialista em direitos autorias. Owen orientou, ainda, os editores a traduzirem trechos dos livros que seriam expostos e deixassem nas prateleiras para quem quisesse levar.

 “Participar dos cursos que oferecemos, pagar suas despesas de viagem e fazer relatórios ao final da feira é a contrapartida das editoras que convidamos”, explica Dosh Manzano, gerente do projeto Brazilian Publishers, responsável pelo estande brasileiro de 700 m² – 192 m² pagos pelo Brazilian Publishers e 508 m² por meio de um convênio da CBL com a Fundação Biblioteca Nacional. Ao todo, 168 editoras estão ali.

Os negócios feitos no estande não cobrem os custos, mas esta não é uma preocupação da organização, já que se trata de um investimento para desenvolver o mercado editorial. E muitos editores não têm a pretensão de fazer grandes negócios.

Assim como Valéria, da Solisluna, Mary Lou Paris, da Terceiro Nome, também está na feira a convite. “Vim mais como curiosa, já que o tipo de livro que faço é difícil de ser vendido no exterior por causa dos custos de produção. Mas quem não quer vender?”, questiona. Aproveitou para fazer contatos e conhecer a produção das editoras infantis, segmento no qual mais pretende investir.

 Sintia Mattar, gerente de direitos autorais da Ática e Scipione, concorda que o ganho é institucional e que muitas editoras têm outros desafios antes de ganhar o mundo. “O primeiro é fazer sucesso no Brasil”, conta. “Mas Frankfurt é um grande hub, e é importante, institucionalmente, estar aqui. Sem mencionar os inúmeros contatos que fazemos e que serão retomados na volta para casa ou em outra edição da feira.”

Por muito tempo, a Vergara & Riba foi conhecida como a editora argentina que vendia no Brasil – até porque os contatos estrangeiros eram feitos pela matriz. Mas, em 2012, ela participou pela primeira vez do estande brasileiro. “Foi uma ótima vitrine e, do ano passado para cá, fui mais procurado por editores e agentes”, conta o editor Fabrício Valério.

A novata Solisluna volta para a Bahia animada. “A Rússia se interessou por dois títulos e talvez fechemos uma parceria com a Índia – nós publicamos um título deles e eles publicam um nosso”, comemora Valéria Pergentino.

O estande da Edusp é vizinho ao do Brasil. É a primeira vez que uma editora acadêmica vem com tanta presença – ela montou até um pequeno auditório e trouxe alguns autores da casa, como Nádia Gotlib e Rubens Ricupero. “Vale a pena o investimento. Temos que exportar nosso conhecimento. E, se bobear, fica mais barato do que participar das nossas bienais”, diz Plínio Martins Filho, presidente da Edusp. Além da Edusp, outras editoras universitárias estão no estande do Brasil num espaço próprio.

A matéria foi publicada no site do Estadão no dia 11 de outubro de 2013.

 

Viva Saveiro: Patrimônio Naval da Bahia

Por Carlos Ribeiro

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A extraordinária importância que os saveiros tiveram na história  do Brasil e especialmente da Bahia, como meio de transporte de alimentos, pessoas, materiais de construção, animais e todo o tipo de mercadorias, é o principal enfoque deste livro que objetiva também conscientizar os leitores em geral, especialmente os poderes públicos,  sobre a necessidade de se preservar esta embarcação que se encontra, hoje, no limiar da extinção. Estima-se que, ao longo dos últimos cem anos, o número de saveiros na Baía de Todos-os-Santos tenha caído de 1.200 para duas dezenas, chegando ao final do século XX abandonado à sua própria sorte. Sua preservação não se limita, entretanto, ao salvamento de um determinado número de barcos, mas ao resgate de um conjunto de conhecimentos ancestrais de inestimável valor. Composto por três capítulos – Baía de Todos-os-Santos: o mar dos saveiros, A Bahia e seus saveiros: apogeu e declínio e No balanço das águas: caminhos da superação, assinados por Carlos Ribeiro e Pedro Bocca, fotografias de Nilton Souza, edição e design da Solisluna Editora, o livro VIVA SAVEIRO: PATRIMÔNIO NAVAL DA BAHIA aborda aspectos históricos e geográficos relacionados à existência dessa embarcação e ao seu habitat: as numerosas cidades, vilas e povoados que percorria em sua faina diária. Ressalta a marca profunda deixada na paisagem cultural do estado, refletida nas artes plásticas, na música, no cinema, na literatura e na fotografia; aspectos ecológicos, econômicos e tecnológicos envolvidos na sua fabricação; a importância estratégica de sua participação em eventos históricos, a exemplo da luta pela Independência do Brasil, e as práticas admiráveis ligadas à vida no mar, incluindo as surpreendentes técnicas de navegação transmitidas de pai para filho, bem como aspectos relacionados ao armazenamento de produtos, à higiene e à alimentação feitas a bordo. Há ainda um capítulo especial sobre os principais mestres saveiristas vivos. Publicado em esmerada edição bilíngue (português/inglês), este livro enfatiza o trabalho desenvolvido pela Associação Viva Saveiro no sentido se criar condições alternativas para essas embarcações em atividades ligadas ao lazer e turismo, única forma de garantir sua sobrevivência no presente. 

 

O livro pode ser comprado nos sites www.solislunaeditora.com.br ou www.vivasaveiro.org 

As âncoras de Katherine Funke

Por Rubens Herbst

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Há uma década, Katherine Funke deixou Joinville para navegar em águas baianas. Nelas, descobriu-se escritora – e, mais recentemente, mãe -, senha para deixar de lado o jornalismo diário e mergulhar de cabeça em observações, ideias e palavras. Tal maré a fez também viajante e carregou-a de volta a Santa Catarina, mais precisamente a Florianópolis, onde desde março exerce residência artística ancorada no Projeto Viagens na Barca. Dessa experiência emergiu o segundo livro de Katherine, Viagens de Walter (Solisluna Editora), ficção sobre autodescobertas, inquietação e rompimentos. Detalhe: trata-se de um e-book, ou livro digital, cujo download gratuito pode ser feito no solislunaeditora.com.br. Uma nova correnteza que a escritora percorre com prazer, como ela conta nesta entrevista.

Fale um pouco da residência artística…
Katherine Funke - Foi um processo muito bacana de interação com a Barca dos Livros, biblioteca comunitária e Ponto de Cultura localizada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Durou seis meses, desde março até agora. Nos primeiros três meses, realizamos encontros de conversas sobre livros e fruição de prosa e prosa, tanto dentro da sede da Barca, quanto navegando na lagoa. Nos três meses finais, me dediquei mais ao fechamento do livro, o romance Viagens de Walter, mas segui participando de algumas atividades da biblioteca, como narração de histórias para adultos e crianças.

Sobre o que é o livro?
Katherine – Trata da possibilidade de se ter a força de fugir do padrão esperado (pela família, status etc), e construir um novo caminho a partir da inquietação, do esforço pessoal e do aprendizado com trocas interpessoais. Apesar de ter um protagonista masculino, considero que também é, em um plano mais sutil, um romance sobre a maternidade, pois temas correlatos estão o tempo todo presentes.

As viagens, o contato com outros lugares e pessoas, isso influenciou no tema do livro?
Katherine – Sim. Em outro romance, Maria João, escrito a quatro mãos com Luis Daltro (ainda inédito), já havia trabalhado a questão da viagem como caminho de transformação pessoal. Em Viagens de Walter, finalmente usei minha voz mais ativamente. Coloco na trama (vejo agora, depois de terminado) a minha própria crença na importância do deslocamento geográfico e do contato com novas culturas/outras pessoas para o crescimento pessoal. Desde criança tenho fascínio por estar de partida ou de chegada.

Um médico em busca de novas perspectivas parece remeter aos médicos cubanos que acabam de chegar ao Brasil…
Katherine - Incrível coincidência – e só me dei conta dela agora no mês final de escrita do livro. Comecei Viagens de Walter em 2007, quando nem se falava do assunto. E nesses meses de residência artística aqui, assim como o meu personagem, quase não li notícias, não comprei jornal, não tenho televisão aqui, então fiquei bem por fora mesmo do calor dos fatos. Mas incorporei, de última hora, algo do clima em torno dos cubanos e do SUS no livro. O livro se passa em 2013, então é mesmo pertinente que faça referência ao tema.

O que você acha dessas possibilidades do e-book? Você é adepta da leitura digital?
Katherine – Leio muitos e-books no meu tablet ou no celular, nas situações mais estranhas, quando não tenho um livro comigo ou simplesmente porque não quis comprá-lo em papel para não carregar peso ou para economizar. Trouxe comigo, da Bahia, no meu tablet (iPad, na verdade), mais de 50 títulos, e aqui comprei mais uns cinco e baixei uns dez títulos gratuitos. Para carregar tudo isso da Bahia para Santa Catarina e depois voltar pra lá, teria de transportar uma mala extra e pagar excesso de bagagem. Então aí está uma primeira vantagem, ter um conteúdo offline para ler em qualquer lugar sem precisar carregar peso.  Vejo muitas outras vantagens no digital. Outra: pode caber muito mais conteúdo em uma publicação, pois não gasta papel… Não acredito que o digital vá matar o livro impresso. As duas formas vão coexistir por muito, muito tempo. Amo livros impressos, amo-os muitíssimo, quero que meus filhos, meus netos, bisnetos, tataranetos, todos leiam livros em papel.  Mas também acho que, já que a leitura digital está ocupando boa parte da nossa rotina, podemos aproveitar os mesmos dispositivos para lermos desconectados um outro tipo de conteúdo, em qualquer parte que estejamos.

Trouxe retorno participar daquela coletânea lançada na Alemanha?
Katherine - Sim, estou indo para a Feira do Livro de Frankfurt em outubro, junto com um coletivo de autores da Solisluna Editora, com apoio de um edital de mobilidade artística da Secult-BA, em parte graças a ter sido publicada em Berlim. Além disso, fui procurada por jornalistas alemães, escreveram sobre meu trabalho, e outras coisas bacanas. Mas o principal retorno, assim de imediato, foi um ganho pessoal na minha fé de que vale a pena escrever um pouco a cada dia, sem parar, ou pelo menos sem pausas longas.

Fez um bem danado para a Katherine escritora essa década fora de Santa Catarina, não?
Katherine – Sim, a solidão inicial lá me fez consolidar a prática da escrita ficcional e jornalística. Depois, vieram oito anos de reportagem em jornal diário, sempre nas ruas, que também me colocaram em contato com uma infinidade de situações humanas (ou desumanas) que ajudam a formar o repertório de um escritor. E também na Bahia tive a sorte de encontrar uma editora com vontade de publicar novos autores, a Solisluna, que lançou meu primeiro livro com todo o capricho (Notas Mínimas, contos, 2010). A Solisluna Editora também assina Viagens de Walter – convidei-a durante o processo e ela aceitou. Será a primeira experiência da Solisluna com e-book. Por algum tempo, pensei em convidar uma editora catarinense, mas não consegui desenvolver muito a procura a uma nova casa editorial durante minha estadia aqui. Quem sabe, no futuro, possa ser editada em Santa Catarina. Vou ficar feliz.

 

A entrevista com a jornalista e escritora Katherine Funke foi publicada no blog Orelhada de Joinville, Santa Catarina, em setembro de 2013.

O olhar terno de Iêda Marques sobre a cultura e o povo da Chapada

Por Andreia Santana

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A fotógrafa baiana Iêda Marques pertence àquela rara qualidade de gente dotada de tal sensibilidade que consegue compor poesias com as lentes de sua câmera. E o resultado dos seus versos tecidos em imagens pode ser conferido no primeiro trabalho solo da artista, o livro Iêda Marques – Lembranceiras, imaginário e realidade (Solisluna Editora).

A Chapada Diamantina é o cenário revelado pelas lentes de Iêda em Lembranceiras, mas não apenas aquela Chapada de grotões e flora exuberante para os trilheiros ou turistas. É a partir do povo da região que a autora nos conta uma história feita de muitos instantâneos, mas também de textos que fazem a ponte entre os diversos mundos que formam a Chapada. As fotos, de uma beleza comovente, até falam por sí, mas a prosa da autora, o texto segue um ritmo inspirado no proseado sertanejo, possibilita uma reflexão mais profunda sobre o ambiente, os costumes, a cultura e o povo retratados.

Dotado de um lirismo que remete ao sonho e de um otimismo apaixonante – fiquei de muito bom-humor após a leitura -, o livro traz desde as paisagens vastas até o miudinho do cotidiano dos moradores da região, com sua labuta diária, sua religiosidade, seus batizados, enterros, casamentos, batuques e folguedos. Os retratos, principalmente de personagens mais velhos, mostram aquela expressividade que concentra toda a sabedoria inata da humanidade. A intimidade das casas humildes, suas cozinhas com panos de crochê cobrindo filtros de barro, moringas, flores silvestres sobre as mesas, trempes e fogões à lenha provocam uma nostalgia de um tempo em que, apesar do trabalho árduo sob o sol, a vida era mais singela e  mais bela.

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Iêda Marques, que é ativista ambiental desde os anos 70, iniciou o projeto que culminou no livro em 2001 e o esmero tanto na seleção das imagens quanto no acabamento da obra provam que este foi, não apenas um projeto de trabalho, mas um ideal de vida acalentado e gestado com todo o cuidado e paciência. Antes desse projeto, fotos suas – de cozinhas das comunidades rurais da Chapada -, haviam integrado a coletânea Bahias, também editada pela Solisluna.

A fotógrafa tem ainda fotos nos acervos do Museu de Arte de São Paulo e no Museu da Casa Brasileira. Venceu, em 1998, o prêmio Marc Ferrez de Fotografia (Funarte/Minc) e já participou de mostras coletivas e individuais.

Voltando ao livro, mesmo um leitor sem conhecimento especializado de fotografia perceberá que um pedaço de Iêda Marques está em cada linha do seu proseado e, principalmente, em cada uma das fotos. Não à toa, ela escolheu como abre-alas para essa viagem pela Chapada, uma frase de Frida Kahlo: “Vou escrever para você com os meus olhos”. E escreve mesmo, também com a alma!

Resenha publicado no blog de literatura do portal A Tarde

 

Programa Aprovado na Feira do Livro de Frankfurt

O programa Aprovado, da Rede Bahia, esteve na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, na Alemanha, para conferir o maior evento do setor editorial do mundo.

A jornalista Rafaela Carrijo conversou com escritores baianos, entre eles Katherine Funke, Iêda Marques e Enéas Guerra, da Solisluna Editora.

A editora participou do estande coletivo do Brasil com 24 títulos de autores baianos e/ou radicados na Bahia.

Confira a reportagem do programa Aprovado

Uma retratista escrevinhadora na feira de livros mais antiga do mundo

Fiz parte do coletivo de autores baianos, que também são nordestinos, brasileiros, sul americanos...  O momento era das editoras. De todas as partes do mundo se apresentavam com a força do misterioso poder que tem o livro. Fiquei à disposição da editora, naquele momento ela era o foco, sua existência me possibilitou estar ali. Foram encantadores os momentos no estande da Solisluna Editora, na Rua J do Pavilhão do Brasil, país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt 2013. 

Texto e fotografias de Iêda Marques

"Iêda Marques: lembranceiras, imaginário e realidade"  http://issuu.com/solislunadesigneditora/docs/iedamarques 

Encontro com pessoas de diversas geografias e culturas

Encontro com pessoas de diversas geografias e culturas

Palavras também são imagens.

Palavras também são imagens.

Imagens são palavras não ditas?

Imagens são palavras não ditas?

Quantas palavras tem uma imagem?

Quantas palavras tem uma imagem?

Quantas imagens tem uma palavra?

Quantas imagens tem uma palavra?

Palavras e imagens avançam pele a dentro, onde há um depósito de palavras não ditas e imagens não feitas. Agradeço ao povo do lugar, foram surpreendentes os dias em Frankfurt, Alemanha. Uma luz linda!

Palavras e imagens avançam pele a dentro, onde há um depósito de palavras não ditas e imagens não feitas. Agradeço ao povo do lugar, foram surpreendentes os dias em Frankfurt, Alemanha. Uma luz linda!

Frankfurt 2013

Na Feira de Frankfurt entrei em contato com a realidade do mercado editorial do exterior e do Brasil, o que ampliou o meu olhar e me fez refletir sobre vários aspectos da área literária. Os eventos que participei e as pessoas que conheci enriqueceram minha experiência como autora. Ouvi várias vezes sobre a importância dessa feira e me senti honrada em estar presente nela com minhas obras junto a obras de autores que admiro. Ter essa experiência ao lado da equipe da Solisluna Editora foi maravilhoso. Acredito que colheremos bons frutos desse momento tão especial. Voltei ao Brasil, com a certeza de que nós brasileiros, pela nossa diversidade cultural, temos muito a oferecer ao mercado editorial interno e internacional. E ainda mais inspirada e motivada, a continuar criando livros que possam ser compartilhados com o mundo.

Texto de Débora Knittel, autora dos livros infantis "Margarida Bem-me-quer" e "Saíra Sete Cores"

A autora Débora Knittel no estande da Solisluna Editora na Feira do Livro de Frankfurt.

A autora Débora Knittel no estande da Solisluna Editora na Feira do Livro de Frankfurt.

RUA J, MESSE FRANKFURT

Deitei em uma rede, abri uma história em quadrinhos (narrava a viagem do escritor austríaco Stefan Zweig ao Brasil) e fui filmada por um canal de TV alemão nessa fruição sem pressa. Permaneci ali por quase dez minutos a pedido da simpática Agel, repórter da Deutsche Welle, que ajudava o cinegrafista a encontrar diferentes ângulos desse ótimo jeito brasileiro de se entregar ao prazer da leitura.

Sem dúvida, foi um excelente início para mim. Havia vestido sapatos confortáveis prevendo uma manhã exaustiva para os jornalistas presentes na coletiva e no tour no pavilhão brasileiro na Feira do Livro de Frankfurt, no dia 8/10, mas quase não foi necessário, já que pude manter os pés suspensos no ar - no tempo e no espaço - e ler calmamente quase como se estivesse em casa, na Bahia. 

Este clima acolhedor fazia parte de toda a programação visual do espaço brasileiro na Feira do Livro de Frankfurt. O pavilhão tinha também bicicletas, almofadas no chão, uma exposição interativa mostrando os personagens clássicos da literatura brasileira e uma estante lotada de livros de brasileiros traduzidos para o alemão.  

Fiquei feliz em ver, nesta mesma estante, um exemplar da antologia de jovens autores brasileiros publicada este ano pela Klaus Wagenbach, de Berlim, com um texto de João Filho (nascido em Bom Jesus da Lapa) e também um conto meu, na estante dos livros que representam o Brasil na Alemanha. Alguns dias depois compareci à festa em torno deste livro no Café Natschleben, no centro de Frankfurt, acompanhada de João, sua mulher e também escritora Állex Leila, Monique Badaró e Milena Britto, da Funceb-BA, a escritora Débora Kntittel, o ilustrador Ian Sampaio e meus queridos editores da Solisluna, o casal Valéria Pergentino e Enéas Guerra. 

Mas o que mais gostei do pavilhão brasileiro foi o espaço de conversas / palestras / leituras públicas, onde assisti algumas das mesas mais empolgantes de todos os tempos. Gostaria de ter ido mais vezes para lá e repetir a visão caleidoscópica proporcionada pela fala de autores de grande repertório e vivência, como Joca Reiners Terron, um dos  meus favoritos da literatura contemporânea, aliás. 

Outro dos meus locais favoritos na Feira do Livro foi o espaço da editora Solisluna, localizado na "rua J" do mapa do estande coletivo. Nossa "vitrine" estava sempre sendo visitada por pessoas que perguntavam sobre o catálogo, a Bahia, o Brasil e tudo o mais. Sem dúvida uma vitrine, como definiu Cristóvão Tezza, mas não apenas isso: também um ponto de contato com tradutores, agentes literários, editores estrangeiros, enfim, uma série de pessoas interessadas no trabalho da Solisluna, de seus editores, ilustradores e autores. 

CONTEC - Mas: voltemos um pouco. ainda no dia 8, antes mesmo da abertura oficial da Feira do Livro, eu já estava participando da Contec, evento da Frankfurter Academy voltado ao aprimoramento do mercado editorial. Integrei um laboratório interativo sobre autopublicação com executivos da Amazon, da Kobo, jornalistas especializados e agentes literários estrangeiros. Foi uma bela conversa franca de duas horas entre os convidados e o público, todos sentados em torno de uma mesa de reuniões em que todos se viam e podiam falar. Voltei com muitos dados interessantes, como a declaração do representante da Amazon de que o Kindle está para chegar com força no Brasil nos próximos anos. 

Como faz menos de 30 dias que foi a público um romance meu, em formato digital (Viagens de Walter, disponível em EPUB no site da Solisluna), trafeguei na Contec em busca de mais informações sobre distribuição, controle de número de downloads, estratégias de engajamento de leitores tradicionais para o livro digital etc. Também assisti a painéis sobre design e leitura interativa de livros digitais. 

Nos dias seguintes, de 9 a 12 de outubro, meus pés começaram a inchar dentro das crocs, pois andei por todos os pavilhões, assisti a eventos, palestras, falas, coletei catálogos inspiradores e conversei com uma agente literária estrangeira que há muito tempo gostaria de ter conhecido.  Tive em todos os momentos a boa companhia de Débora Knittel, autora de dois títulos infantis da Solisluna, com quem também dividi o quarto no apartamento alugado em Frankfurt, no bairro de Eschersheim. 

Com Débora aprendi um pouco mais sobre literatura: falamos de técnicas de construção de narrativas longas de ficção,da estratégia utilizada nas histórias de mangás, do efeito causado pela leitura de O Apanhador de Campos de Centeio etc etc etc, de modo que conviver com ela se tornou uma das coisas mais agradáveis da viagem. 

O escritor em geral é uma pessoa muito solitária, que necessita de solidão mas também precisa de interlocutores que falem a mesma língua. A Feira do Livro de Frakfurt nem sempre fala ao escritor; ao contrário, somos apenas um dos elementos do "mercado editorial", talvez os que menos possuem forças diante de fatores grandiosos como alcance de público, índice de vendas, repercussão no mundo literário e assim por diante. 

Durante o evento gostei muito também de conhecer o trabalho de outros autores baianos, conversando com Állex Leila e João Filho e comparecendo ao lançamento da antologia lançada pela Fundação Cultural do Estado da Bahia na manhã do dia 18, onde assisti a um painel bastante detalhado feito Milena Britto, doutora em literatura, estudiosa e conhecedora de um vasto panorama cultural. 

Foi sem dúvida muito inspirador estar na Feira e agradeço pela oportunidade gerada pelo esforço da equipe da Solisluna Editora, e também o apoio do Fundo de Cultura através do edital de Mobilidade Artística da Secult-BA. Oh sim, e também a Iêda Marques que nos fotografou sorrindo em nossos instantes de plenitude durante a jornada. 

 

_ Katherine Funke, 32, é mãe de Izak, jornalista e escritora. Autora "Viagens de Walter" (romance, 2013) e de "Notas Mínimas" (contos, 2010), ambos publicados pela Solisluna. No momento, ministra oficina de contos no Cine-Teatro de Lauro de Freitas (http://oficinadecontos2013.wordpress.com  

Katherine Funke e parte da equipe da Solisluna  Editora no pavilhão do Brasil, na Feira do Livro de Frankfurt.

Katherine Funke e parte da equipe da Solisluna  Editora no pavilhão do Brasil, na Feira do Livro de Frankfurt.

Frankfurter Buchmesse – Compartilhando experiências e impressões no mundo dos livros.

Foram 10 horas de Salvador a Frankfurt, viagem tranquila, noturna. Ao chegarmos às 9 horas da manhã, fomos para a casinha vermelha alugada previamente, localizada em um horto com muitas flores e plantas. Lindo!

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Logo no primeiro dia de adaptação do grupo à casa, fomos ao supermercado. Uma limpeza e riqueza de produtos incrível! Tudo mais barato que aqui. Impressionante como a hospedagem e alimentação na Alemanha em euros é mais em conta que no Brasil. Nos surpreendemos com a facilidade de ir e vir, o nosso ticket para entrada na feira nos dava o direito de usar todos os transportes da cidade  durante o período da feira– ônibus, bondes  e trens de pontualidade germânica.

No segundo dia, a caminho da feira, na parada do trem, uma bela paisagem ornada por todos lados de belas árvores nas cores do outono, conhecemos um simpático autor e dono de uma pequena editora em Nova York que nos apresentou os livros que ele edita. Lindos! Um inspirador começo. Iniciamos nossa visita à Feira do Livro de Frankfurt, a Frankfurter Buchmesse, participando de um tour para editores brasileiros, promovido pela organização da feira e a Missão Cultura Exportadora do programa Brazilian Publishers.

Neste mesmo dia teve a abertura oficial da feira com as autoridades brasileiras e alemãs em um enorme e lindo auditório, com todos os lugares ocupados. O escritor Luiz Rufatto falou em nome da delegação oficial dos escritores brasileiros que foram para Frankfurt, enviados pelo Ministério da Cultura. Em um discurso contundente, ele apresentou ao mundo as nossas mazelas e tristezas. Sua fala foi muito forte e tocante, digno de muitos aplausos, mas teve um sabor indigesto para nós que aqui vivemos e batalhamos para que as coisas se modifiquem. Tudo o que ele falou precisa realmente ser dito, mas, talvez, o local apropriado fosse outro. Incrível também a fala do Ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Ele focou seu discurso no livro e no que este representa como bem cultural para a humanidade, na importância dos governos protegerem o livro do livre comércio, pois “livres devem ser as ideias”.

Depois das falas houve uma festa linda para convidados em um dos espaços do Brasil com a abertura de uma bela exposição, com projeto e curadoria de Daniela Thomas, mostrando o Brasil das letras. Teve também a apresentação de um grupo musical do Clube do Choro de Brasília.

No pavilhão do Brasil mais de 100 editoras pequenas, médias e grandes, expuseram seus livros em espaços individuais de igual dimensão, um módulo com três prateleiras. Tudo muito limpo, bonito e organizado com recepcionistas simpáticas, frutas, café e no final do dia caipirinhas. Senti falta neste espaço da identidade e do design brasileiro.

A estrutura da feira é um complexo formado por nove grandes pavilhões onde a maioria dos países estiveram presentes. É literalmente o Mundo dos Livros. É tudo tão grande, que esteiras rolantes facilitam as caminhadas nos corredores que ligam os pavilhões. Como é uma feira de negócios, estão presentes principalmente os editores, agentes literários, órgãos governamentais responsáveis pelas publicações, gráficas e todos os demais profissionais que trabalham no universo produtivo do livro. É basicamente um feira de compra e venda de direitos autorais e de serviços.

Nos dias seguintes fizemos contatos com editores de várias partes do mundo como Alemanha, Itália, França, Rússia, Geórgia, Estados Unidos, Nigéria, China e Índia. Os auto

res brasileiros são respeitados e nossos livros fazem sucesso principalmente pela diversidade. A Bahia é especialmente querida e muitos nos procuraram e muitas conversas boas aconteceram. Sabemos que agora outra fase se inicia, os livros sairão da Bahia para o mundo! Com certeza o aprendizado foi grande, pois a possiblidade de conhecer pessoas e profissionais de várias culturas amplia ainda mais o nosso horizonte e as possibilidades de negócios são ilimitadas.

Izabel Harris se emociona ao conversar com as jovens vencedoras do concurso literário

Izabel Harris se emociona ao conversar com as jovens vencedoras do concurso literário

Uma experiência muito marcante que não posso deixar de compartilhar foi a visita que recebemos no sábado dia 12, nosso último dia de feira. O professor doutor Abdul-Rasheed Na’ Allah da Kwara State University da Nigéria, trouxe um grupo de jovens estudantes nigerianas que venceram um concurso literário promovido pelo The Channels Book Club nigeriano e que ganharam como prêmio a viagem para a Feira do Livro juntamente com seus pais e professores. Izabel Harris, da Solisluna Editora, apresentou ao grupo os nossos títulos sobre a cultura afrobrasileira, encontro que foi documentado pela televisão nigeriana em um momento de alegria e emoção.


Valéria Pergentino

Fizeram parte do grupo da Solisluna Editora que foi a Frankfurt: a editora e designer Valéria Pergentino*, Enéas Guerra* editor e autor; Izabel Harris*, marketing e tradução; Katherine Funke*, jornalista e escritora; Iêda Marques*, fotógrafa e escritora; Débora Knittel escritora de livro infanto juvenil; Dora Ramos autora e seus acompanhantes Marcia Hage e Gabriel Braga.

* Estes profissionais receberam o  apoio para a viagem do Edital de Mobilidade Artística e Cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Feira abre para visitantes

Adolescentes, jovens e adultos vestidos de personagens de animações japonesas por toda parte marcaram o primeiro dia de abertura da Feira do Livro de Frankfurt para o público em geral. Até ontem (sexta), a programação podia ser acessada apenas por editoras, agentes literários, autores, tradutores, jornalistas, ilustradores e demais pessoas ligadas à cadeia produtiva do livro. Então, o sábado foi movimentado também no estande coletivo do Brasil. A Solisluna Editora recebeu visitantes de todas as partes do mundo interessados em livros feitos na Bahia, desde estudantes nigerianos a proprietários de uma escola alemã de design, passando por brasileiros/baianos que moram fora do país e queriam matar um pouco a saudade de sua terra e outras pessoas de diferentes nacionalidades atraídas pelos temas e capas dos livros. No nosso espaço, todos foram recebidos com toda atenção por nossa equipe presente em Frankfurt e puderam saber mais sobre nosso catálogo, nosso trabalho, a arte, a cultura e a produção editorial baiana.

Também neste final de semana um filme baiano será exibido durante a Feira do Livro de Frankfurt: Trampolim do Forte, dirigido por João Mattos, terá duas sessões, hoje e amanhã (13), último dia do evento.

Na foto, um clique do movimento em torno dos livros da Solisluna em exposição no estande coletivo do Brasil.

texto e foto: Katherine Funke

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